sábado, 30 de agosto de 2008

Denver

A liberdade é a coisa mais bela e ilusória que já inventaram. Todos almejam o dia em que serão livres de alguma coisa: dos pais, da escola, do chefe, dos filhos, e por aí vai. Contudo, muitos quando alcançam essa tão sonhada condição não têm a menor idéia do que fazer com ela.

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Em determinado momento de On the road, Dean está passando um tempo na casa de uma mulher chamada Frankie, mãe recentemente abandonada pelo marido, cujo sonho é comprar um carro. Ela economiza há anos para isso, e Dean a ajuda a escolher o modelo. Depois de tanto esforço e planejamento, enfim vão os dois à loja, e lá está o carro, um calhambeque (lembrando que o ano é 1949). Era aquilo o que ela queria, aquilo de que precisava. Porém, na cara do vendedor, Frankie fica receosa de acabar com suas economias e desiste. Dean sai pela rua revoltado, senta-se na calçada e a xinga enfurecidamente. Diz que assim são os caipiras: quando estão frente a frente com o que desejam, ficam histéricos e amedrontados. Nada os aterroriza tanto quanto o que mais anseiam.

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Um dia, numa terça feira, estava na escola e, desde que chegara, não me sentia bem. Febre, dor de cabeça, essa frescura toda. No entanto, fui embora só no início da última aula. Saí ao ar quente do fim da manhã, véspera de feriado: estava livre. Meu pai, porém, demorou uns vinte minutos para me pegar, e fiquei esperando parado na rua, respirando e expirando o calor. Aí está: eu era livre, mas não tinha muito o que fazer com isso.

Um comentário:

Igor disse...

Sou um caipira.