sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Índios

Costumava ser mais difícil fazer arte. Nenhum erro era tolerado, a platéia vaiava mesmo. O músico estudava anos para criar e executar com perfeição; o poeta calculava suas rimas para caberem na métrica. Mas aí inventaram os blogs e as revistinhas de cifras, e qualquer babaca escreve ou toca um sol e lá menor.
Artistas saem de suas bandas e logo fazem um tanto de coisas diferentes em suas respectivas carreiras solo, que são certamente uma das coisas mais nocivas da música. Afinal, pior que uma banda ruim são cinco músicos vindos de uma banda ruim, com sede de fazer mais coisas ruins. É matematicamente crítico: cada um tem três projetos de criar um som meio assim, "bebendo da fonte do psicodélico, desde o choro e demais raízes brasileiras, passando por Miles Davis e com pitadas de indie rock, sem esquecer a influência dos Beatles e do britpop”. Tudo desculpa para continuar no sol e lá menor.
Chega a ser claustrofóbico pensar onde colocam toda essa porcaria. Será que algum dia vão bater à minha porta perguntando se eu tenho um quartinho, um banheiro de empregada que seja, para guardar um pouco do estoque do novo disco do Arctic Monkeys?

7 comentários:

disse...

Hey, teacher...

PÕE PRA BALANÇAR

tum tum tum

Anônimo disse...

dois pi raiz de éém/e/ cá.

Nanda Melonio disse...

Tapa na cara das melhores bandas de todos os tempos que surgem por aí e suas pseudo-inovações. Ótimo texto.

Anônimo disse...

meu sonho é entender essa figura maravilhosa. acho q é cubista! ahahaha voces nao tem mais oq fazer né? nem eu comentando aqui.
AHAHAHAHAHAHA
só pra constar: "Mais posts, por favor, sou uma fã e me excito com seus textos." AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH
ri muito

mari gomes disse...

meu nome nao saiu mas o de cima foi por MARI GOMES, sobre o blog!

Denner disse...

HAHAHAHAHAHAHA .. puta que pariu você escreve muito bem, acentuação e as questões textuais muito bem apresentadas. Um dos poucos blogs de qualidade exorbitante; fico simplismente agraciado com tais textos e me divirto lendo cada um deles. Um grande abraço aos redatores.

Lelê disse...

É moda. É arte. É zé-povinho de Bienal que acha que gorfar na cara do outro te faz especial e único.

Eita geração chata de pseudo-cults. Compartilho da sua revolta.