terça-feira, 28 de outubro de 2008

When lights are low

Eu costumava ter um hábito pouco saudável de cleptomania quando alcoolizado. Lembro de que um dia num pub, enquanto esperava na fila do banheiro, vi uma porta entreaberta, levando para uma estreita sala. Lá dentro, uma pia com luvas de borracha em cima, alguns armários e um freezer. Estiquei-me sorrateiramente e abri o freezer. Só havia sacos de gelo, então peguei as luvas de borracha e pus no bolso. Sim, luvas de borracha.

Outra vez estava em uma boate e, num canto escuro, havia um casal encostado contra uma espécie de bancada, com sua mesa e bebidas à frente. Sobre a bancada repousava um maço de cigarros. Em um momento de distração do casal, dei mais uma esticada sorrateira com o braço, peguei o maço e coloquei no bolso. E eu não fumo.

Nesse mesmo lugar, mas em uma noite anterior, tocava um DJ virado para a pista, que ficava ao seu nível, e por detrás podia-se passar livremente. Ele tocava vinis, e às suas costas havia duas caixas de metal lotadas de discos. Novamente sorrateiro, puxei um LP sem nem saber de quem era e escondi debaixo da camiseta. Passados alguns segundos – ou minutos, não tenho certeza -, puxei outro e fiz o mesmo. Saí de lá com dois discos ocultados sob minha camiseta e um xale que pegara emprestado no fim da noite (sem eufemismo, foi emprestado mesmo). Por causa do frio, não pelos meus improvisos criminosos. E os discos eram muito ruins.

Após um período determinado a não reincidir esses vergonhosos delitos (“Você ainda vai apanhar”, avisam), tive uma leve recaída. Estava no fim de um show, e horas depois de “encontrar” uma bela caixa de cigarros quase vazia, feita de metal, fui ao local onde tocava o DJ que fechou o evento. Sobre sua pick-up estavam objetos que, segundo ele, as pessoas lhe jogavam. Um boneco do Chaves, outro do Super 15 (lembram?), entre demais coisas. Sem nem pensar, enfiei o Super 15 no bolso e saí andando.

Juro que nunca mais repito esse tipo de bobagem, mas era o Super 15!

5 comentários:

Rogério Buratti disse...

Pude presenciar alguns dos delitos aqui descritos. Delitos não acredito ser a palavra certa para o caso. Incompreensíveis atos de uma pessoa semi, e as vezes, alcolizada. Será o alcool a verdadeira razão ? Uma especie de cleptomania ? um desejo oculto à transgressão ? o desejo de fazer algo "errado" e não ser pego ?
Fiz parte dos que alertavam ao risco inutil. Não há nada mais idiota do que correr um risco inutil, disse em certo dia.
Mas tenho a convicção que tudo passa.
Antes que me esqueça, os discos "apanhados" eram, para dizer o mínimo, horríveis.
E o super quinze é um boneco "meio" estranho.

jorge disse...

pelo menos as luvas podem ter alguma utilidade, jah os discos, pelo oq me lembro, nem de fresbie serviriam, o vento tem bom gosto.

Bin Bean disse...

Cleptomaniaco , quem diria , cleptomaníaco com tendencias beberrentas

mas eu acho que o super 15 é algo além da cleptomania . . .

akele abrass

Igor disse...

Ganhei um disco desses de aniversário, mas no mesmo dia o esqueci embaixo da carteira... Algum felizardo deve estar ouvindo agora aquelas baladas oitentistas.

mari disse...

MEU DEUS TOMMY! TENHO MEDO DE VOCÊ!