quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Oblíqua e dissimulada

Estreou ontem na Globo a minissérie Capitu, baseada na obra Dom Casmurro, de Machado de Assis. Meus receios ao assistir às chamadas e ao ler a respeito se confirmaram já nos primeiros minutos: é uma grande porcaria. A produção segue à risca a tendência teatral de séries anteriores, como Hoje é dia de Maria e A Pedra do Reino. O cenário tosco e nebuloso, as maquiagens carregadas e os personagens caricatos, gritando como se toda fala fosse a mais preciosa pérola carregada de lirismo e beleza.

Bochechas rosadas e bigodinhos pintados à lápis à parte, esse estilo poderia talvez se justicar em se tratando da temática das produções anteriores. No entanto, a série retrata, em suas próprias palavras, "uma obra genial da nossa literatura" dessa maneira patética, enjoativa e pedante. Sem querer ser preciosista, mas não me apetecem essas supostamente "ousadas" e "atrevidas" fusões do novo ao antigo, tal qual a cidade do século XXI com a narrativa de mil oitocentos e tanto. Nem Capitu de tatuagem no braço, ou a trilha sonora com canções pop e, pasmem, Sex Pistols.

O resultado é um programa confuso e aborrecido de se assistir, cheirando à pretensão de ser coisa bonita só para gente inteligente e sem preconceitos estéticos. Machado de Assis não precisa disso para parecer atual e moderno, o que sempre foi e continua a ser.

Faltou apenas colocar o Fernando Anitelli de Bentinho e escrever "entrada para raros" como subtítulo. Aí sim ficaria perfeito.

12 comentários:

Rafael Bin Bean disse...

I couldn´t agreev more with you !

Rafael Bin Bean disse...

eskece esse V

Vec disse...

Nada contra sua opinião (e nem a dos milhares de jornalistas que a compartilham), já digo de antemão.
Mas como alguns devem ter raparado, minha opinião é exatamente a contrária.
Caso queira saber, se ainda já não viu, veja no meu blog o que eu escrevi sobre a mini-micro-série.
Mas são feitas de discórdias as engrenagens da humanidade...
Um abraço, keep going.

Antonio (ou Tonhão msm) disse...

Ainda não li Dom Casmurro, tampouco conheço a obra de Machado de Assis. Conheço, de alguns ensaios, as críticas à ela.
Sendo assim, não sei se valem as minhas observações, mas pareceram-me interessantes o tal lirismo da minissérie e a intensidade da trilha sonora. A interpretação do Bentinho jovem, do César Cordadeiro, se não me engano, que tem deixado a desejar. Que moleque chorão!

Igor disse...

O que deixa a desejar é a produção no geral. A única coisa que me faria levantar pra bater palma são as atuações de alguns poucos lá dentro. Sem contar a trilha sonora, cheguei a chorar de dó (mentira), é bem frustrante saber que a provável maior obra da literatura brasileira seja adaptada dessa maneira, incoerentemente discrepante.

To abbreviate, achei um cocozão supremo.

Felipe disse...

Discordo

jorge disse...

Concordo. Não acho adequado representar a grande obra de Machado de Assis de uma maneira tão exagerada. Mesmo mantendo as características principais de cada personagem a mini-série está com um ar forçado contemporâneo. Talvez veja isso por ter uma idéia completamente diferente da obra quando a li, sendo ou não, achei um lixo.

Dorfo disse...

NEM CURTI ESSA MINISERIE...HORRIVEL....TRILHAS SONORAS DA ATUALIDADE PRA UMA OBRA ESCRITA EM 1800 E BOLINHAS....A ATUAÇÃO DE ALGMS FOI BOA...+ DEXARAM A DESEJAR....

Duuda =) disse...

hahaha.. nossa que medo, eu faleeei isso com a minha mãe no dia da estréia, compartilho totalmente de sua opinião meu caro..parece que ficou uma coisa meio beto e bete (os professores).. "Eu sei mais e melhor do que vc e vc não tem capacidade para entender a complexidade de Machado de Assis.."
haushuahuhs
beijos e um feliz natal e próspero ano novo à moringa =)

Duuda =) disse...

como se um Olá Capitu tivesse mil e um significados obscuros e altamente importantes para o desfecho do livro...
Pelo menos eles não recriaram as palavras de Machado..

Anônimo disse...

olá, aqui é aquela alessandra que vc não conhece.
Muito interessante seu ponto de vista, e ver que vc gosta tanto do Machado.
Mas eu discordo um pouco, realmente gostei da série, esperava bem pior, e achei que foi dinamizada daquela adaptação seca e lisa que geralmente fazem dos livros, houve sim inovações 9as partes do muro por exemplo) mas mais do que tecnica, de idéias, mas para convergir um pouco com vc, realmente mtos recursos "estéticos" da arte do cinema não foram usados, nunca são na globo, não é mesmo.
agora o arriscado de se fazer aquela obra em um outro meio é perder o narrador, mtas vezes é perder o narrador, realmente eles colocaram um outro narrador ao lado do casmurro. ainda ssim, algumas performances foram incríveis, o que dizer de michel melamed?
Mas nao sei se o diretor queria deixar "cult" ele anunciou que queria deixar a coisa mais agradavel para os jovens, e por isso as musicas...Bom, detesto que nos coloquem, nós jovens, como se não pudessemos aproveitar algo sem um apelo pop ou da dinamicidade da ação, apenas pela qualidade. Não que esses fatores não possam ter qualidade, podem e tem as vezes, mas algumas coisas foram realmente supreendentes, sex pistols, como vc mesmo citou. Mas, como vc disse, ele nao precisava "atualizar" o texto é atual. É machado...e realmente não sei se a série conseguiu causar todas as reflexões que o livro provoca, acho que não, mas provocou outras. Como essas, a minha e a sua!
Abraço.

Igor disse...
Este comentário foi removido pelo autor.