quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A praieira

Quando ainda morava no centro, subia a pé os poucos quarteirões entre a escola e minha casa para o curto almoço. Havia um boteco perto do prédio, com as prateleiras atrás do balcão lotadas de destilados baratos e algumas poucas cadeiras metálicas espalhadas sobre o chão sujo. A uma hora da tarde de dias comuns, ao lado da mulher gorda que passava roupa em uma tábua logo à porta, homens bebiam cerveja e davam risadas.
Igual a como quando passava de ônibus em frente a uma praça, longe de casa, e avistava uma turma de velhos a arrastar mesas de plástico para sob a sombra das árvores, tomando o mesmo líquido amargo e amarelado, naquela hora do dia na qual só queremos dizer não.
Seria descompromisso ou filosofia esse hábito de sentar e embriagar-se como se fosse sábado?

Em uma quinta-feira qualquer, uma garota de moletom cinza, atordoada por apostilas, engenharias e vontade de tomar sol, saiu pelos portões da escola, indo até o bar da esquina pedir uma cachaça. Era um daqueles momentos nos quais não se deseja guaraná, suco de caju ou bolo de fubá, nem bebidinhas de baixo teor do que seja. Ela, instantes antes sóbria e sã feito uma beata, tomava devassos goles de pinga e ainda saía sem pagar. Diz que sem querer, por não estar muito bem da cabeça.

Razão tinha aquele outro Chico, ao cantar que “uma cerveja antes do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor”.

5 comentários:

Igor disse...

Tua poética mora nos bêbados, nos loucos, nos clowns de shakespeare dessa vida danada.

Anamaria disse...

:)

Laura Issa disse...

ME FALARAM um dia sobre essa historia...

Duuda =) disse...

mas vc anda aparecendo muito por aqui! axo q vc e o bel deveriam aderir ao comportamento dessa menina, vcs estudam demais!

Anônimo disse...

Ótimo, eu encontrei o que eu estive olhando para