domingo, 27 de setembro de 2009

Blue sunday

Hoje encontrei uma barata no meu quarto. Estava agonizante, mexendo devagar as pernas, cercada por formigas oportunistas. O inseto parou ao lado da porta do banheiro, justo no lugar onde eu já havia passado pouco antes, prostrado tal qual houvesse simplesmente desistido . Nem sei como não o vi, grande e escuro, mas, graças a Deus, moribundo. Também desconheço a maneira que entrou, como ousou.
Barata é a coisa mais infeliz no mundo. Mais triste que morte na família, que gol contra. A barata não tem razão nem amor à vida. Ela vai para cima de você, do seu Raid e de suas havaianas – seja correndo, seja voando. É valente, luta e esbraveja. É uma estúpida de uma forte; até feminina no gênero, de tão persistente, teimosa e cega.
Agora é primavera: em breve, estarão por aí, alegres a desovar. Li outro dia, inclusive, que as baratinhas recém-nascidas, logo que saem de seus ovos, vão cada uma para um lado. Caso dê algo errado com alguma, as outras têm a sorte de seguir outra direção. A natureza é uma merda de inteligente quase sempre.
Quando me for, elas ainda estarão vivas, aos bilhões. Não posso vencê-las, nem dedicando minha vida a isso. Malditas, ridículas baratas.

3 comentários:

Duuda disse...

Tomass =)

Fernanda disse...

Já li textos que transmutaram baratas, já ouvi músicas que usavam baratas como mote; mas, ao ler seu texto, percebi a real maldade desses...monstros...ser mais infeliz que gol contra foi demais!hehehehehe

Só não gostei de um detalhe: que história é essa de usar o adjetivo "cega" ao referir-se ao gênero feminino?

Robinson disse...

Tomás meu quirido,deixa que eu mato todas as baratinhas pra você!