sábado, 12 de dezembro de 2009

Tiny capers

O Rodolfo não tinha mais que dezessete, e tratava sempre de raspar seu fino bigode pelas manhãs e pentear o cabelo com gel, a fim de levantá-lo como uma falésia no litoral norte. O colégio era feito para as aulas de literatura e os desfiles de belos dentes, calças caras e a devoção pelas garotas loiras, com as blusas arregalando olhos pelos corredores.

Mas o importante era a sexta-feira, quando saía do laboratório de biologia, ao meio dia e quinze, e via-se livre para pensar no que faria dali poucas horas, após puxar suas barras de metal. Era um rapaz asseado, de carregar um frasquinho de perfume junto à escova de dentes e um protetor neutro para lábios ressequidos. Cogitava, em um futuro próximo, adquirir um estojo de maquiagem, tão preocupado era em corrigir as pequenas rugas que jurava surgirem em sua testa. Ficava muito atento aos braços robustos e aos pelos do corpo – ou à dedicação em mantê-los ausentes. Era um bom partido, diriam algumas avós; um colosso de rapaz, para bisavós. Um moço cosmopolita, moderno: o novo homem, afirmariam os publicitários.

Naquela noite de sexta, certamente iria a algum lugar bonito ver gente bonita. Rodolfo adorava ver gente bonita, e sentia-se deprimido só de passar pelo centro da cidade e avistar aquela réplica senegalesa de civilização, fazendo-o suar e ter náuseas com o cheiro das ruas. Em sua noite, só encaixavam-se programas fantásticos, nos quais vestia sua camisa polo de listras vermelhas sobre fundo preto e bebericava uísque diluído em taurina, cafeína e guaraná. Para ser completo, havia de sorrir às garotas loiras, as mesmas favoritas da luz do dia, no entanto mais rosadas as bochechas e curvados os cílios, e soltar o papo de que “as coisas não são mais como costumavam ser”, apontando um cara estranho, no canto, a ameaçar a boa vista. Praticava a conversa mole, sacana e absolutamente desinteressante. No fundo, era um rapaz bastante superficial.

O êxtase de Rodolfo eram as baladas de sábado à noite, quando punha uma fita no pulso e circulava pela riqueza de uma vida que parecia lhe pertencer. Deveriam – pensava ele – é mudar a ordem das coisas, e dar as pulseiras aos senegaleses, podendo assim vê-los de longe e mudar de calçada. Talvez até costurar algo que os identificasse por suas camisas, ou riscá-las de giz.

Era uma vida classe A, uma vida top essa vida de Rodolfo. Por que não poderia ser o mundo todo assim, um camarote?

7 comentários:

Duuda disse...

ironico.

rafael disse...

bom demais Tomás ;D
abraço

Igor disse...

Porra, agora que li de novo o paralelo clareou. Demais o quarto parágrafo!

Duuda disse...

eu gostei tanto desse que vim ler de novo!

VejaBlog - Seleção dos Melhores Blogs/Sites do Brasil! - disse...

VejaBlog
Seleção dos Melhores Blogs/Sites do Brasil!
http://www.vejablog.com.br

Parabéns pelo seu Blog!!!

Você está fazendo parte da maior e melhor
seleção de Blogs/Sites do País!!!
- Só Sites e Blogs Premiados -
Selecionado pela nossa equipe, você está agora entre
os melhores e mais prestigiados Blogs/Sites do Brasil!

O seu link encontra-se no item: Blog

http://www.vejablog.com.br/blog

- Os links encontram-se rigorosamente
em ordem alfabética -

Pegue nosso selo em:
http://www.vejablog.com.br/selo


Um forte abraço,
Dário Dutra

http://www.vejablog.com.br
....................................................................

Augusto disse...

Ai aposto q ele faz parte alta sociedade ribeirao pretana! chama ele pra vir aqui no meu programa! beijus Neusa

Bá disse...

Noffa Tomy como vc é culto,até a composição do GOLPE vc usouu! hAahha Ta mara!