quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A uma morena


Não tens, amor, idéia
não tens também, meu bem, noção.

Não não tens nem, amor
juízo de valor
do vão de alma,
um estado tão,
do breu clarão
torpor que me tiraste.

Da terceira margem peguei
tua mão pensa a mim paciente
e invertidamente
à caverna platônica voltei,
sensível, porém, que me tornaste.

Ao hóspito main-espaço me guiaste.
Ao tato.
Ao vital tato.

Sensível à vida de homem,
sim,
simples homem
assim que te sente.

Te ouve
entestar criança ao meu peito apegada, corada...

Te pega
o perfume dos cabelos teus, longa colcha macia, o sono sacia...

Te cheira
o inefável sorriso, indelével...

Te morde
os sôfregos olhos sob sobrancelhas furtivas, felinas...

Te vê
como ouves o outro,
redundantemente humana,
como nunca com o outro fui,
que me tanto agrada.

E agora agradeço
a engrandecer-te,
minha sípida frutacor
fonte odora de flor.

2009 / 2011

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