terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Está tudo na sua cabeça

O homem poderia ser mais expositivo em suas relações e/ou intenções.


“Carlos, por que pôs o volume do filme no máximo? Vou ficar surda!”
“Perdi o tesão hoje com aquele besta te olhando o tempo todo. Não adianta negar. Então só quero te irritar pra eu ter um bom motivo pra dormir no sofá.”


Graciosa, o vestido a acompanha, leve, feito uma garça ao ribeirão, a namorada se achega de surpresa, por detrás do rapaz, em sua mesa de bar. Beijo tira-fôlego. Discursa da ponta da grande mesa: “Meninas, não me importo que olhem para ele, nem que se insinuem a ele, sendo vocês mulheres desta estirpe, acostumadas ao biscate com qualquer um, nem que ele olhe para vocês com a devida receptividade masculina, pois ele é homem, afinal, e todos os homens trazem consigo uma rusticidade no que diz respeito ao controle de seus impulsos, notadamente os sexuais. Uma coisa. Só não toquem nele, que o ativo aqui sou eu e não tolero esse tipo de coisa.”


João puxa uma cigarrilha e se cobre com o lençol.
“Ah, foi bom pra você?”
“Olha, pra ser sincera, não senti absolutamente tudo o que eu sentia com o Evandro, mas você foi atencioso e se esforçou bastante e eu admiro gente esforçada. Admiro mesmo.”


Desse modo não perderia tanto tempo tentando ser agradável. O constrangimento seria uma calçada.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010