sábado, 20 de novembro de 2010

Terra Seca





Ocorre que não sou muito afeito a feriados, tampouco a datas comemorativas, a não ser à sua imediata conseqüência: o hiato do cotidiano. Entretanto confesso que tenho apreço a certos dias do ano em que o recesso é destinado a uma reflexão necessária. Este é um deles. No dia da Consciência Negra, trago ao blog as palavras musicadas de Ary Barroso, na voz de Silvio Caldas.
Fiquem em paz.


O nêgo tá moiado de suó...

Trabáia, trabáia, nêgo
Trábaia, trabáia nêgo

As mãos do nêgo tá que é calo só...

Trabáia, trabáia nêgo
Trabáia, trabáia, nêgo

Ai, meu sinhô, nêgo tá véio
Não agüenta esta terra
Tão dura, tão seca, poeirenta...

Trabáia, trabáia nêgo
Trabáia, trabáia, nêgo
O nêgo pede licença pra parar
Trabáia, trabáia, nêgo
O nêgo não pode mais trabaiá

Quando o nêgo
Chegou por aqui
Era mais vivo
E
ligeiro que o saci

Varava estes rios, estas matas,
Estes campos sem fim
Nêgo era moço, e a vida,
Um brinquedo prá mim
Mas esse tempo passou
E essa terra secou...
A velhice chegou
E o brinquedo quebrou

Sinhô, nêgo véio tem
Pena de ter se acabado
Sinhô, nêgo véio carrega
Este corpo cansado...

sábado, 6 de novembro de 2010

Os loucos de toda ordem

Quando ainda estava em ritmo de vestibular, sem tempo para nada e estudando feito um louco, ouvi de alguém (acho que do irmão do Tomas, Jorge, num comentário neste mesmo Blog) que na faculdade as coisas piorariam. Pensei que seria impossível, afinal eu não conseguia mais ver filmes, tampouco ler o que quer que fosse que não fosse assunto para passar no vestibular. Pois bem. É verdade. As coisas pioraram. Um pouco também por culpa minha, está certo, porque andei me metendo com a tal da Política Acadêmica, o que fez tudo virar de cabeça para baixo, feito a Mafalda ao descobrir que estamos no Hemisfério Sul. E só agora estou voltando aos eixos. Não digo que preciso de férias, mas sim de uma boa rotina. Sabe, aquela coisa chata? Exatamente. Mas vou parar de reclamar e avisar de uma vez que o Blog continuará vivo. E que logo menos estaremos colocando novas músicas.


Até.


Os loucos de toda ordem

§ 1º
            (Cotidianamente sem ver,
o sóbrio sem saber sente.)

Sente e sabe e sofre sempre
              sempre sempre, em frente.

              Sempre só sempre sóbrio
sempre sempre, em frente.

Sempre só sempre sóbrio
              qual displicente se sente.
             
              Sempre severo servente
qual displicente se sente.

Sempre severo servente
              sempre sofre e sabe e sente.

§ 2º

Se sabe, é sem ver:
            se sem ver, sem ter:
                           se sem ter, sem crer:
                                         se sem crer, sem ser.
Ora,
se não é,
               sem se ver se vê,
pois.

§ 3º

E, sua dor de cabeça
sobre o travesseiro,
sem paz sob os sábados
se abstém o sóbrio a findar
sempre 
por em linha reta andar.