quinta-feira, 27 de junho de 2013

A lente da mídia (na reforma política)

Rascunho de texto para o berro.

Não por motivos muito especiais, sem querer entrar muito nessa briga pelas competências privativas de quem quer que seja, e sem estar muito certo disso, tendo a ser favorável à PEC 37. Mas o importante é que a derrubada dessa PEC faz ter certezas que não é só o governo que governa.

Penso primeiro no tamanho das forças corporativistas atuantes aqui, para além do empresariado, com destaque para o Ministério Público e a OAB. Advogam em causa própria (e dos amigos) sob a lente da "causa de todos". E isso é um problema, pois quem defende essa "causa de todos", historicamente entra pra História como aqueles desejosos de permanecer as coisas como estão. Sem voltar pra trás, nem pra frente também.

O segundo ponto provém do tamanho do poder dos grandes veículos de comunicação, os quais (por mais que recebam o grosso da publicidade governamental -- segundo alguns obscuros critérios do mundo do marketing) conseguem mover montanhas e multidões, ao forjar consensos baseados unicamente em interesses (também) corporativistas. Que infeliz e propositadamente quase nunca atentam à verdade dos fatos.

O poder tem várias fontes. E o povo precisa ter condições de perceber isso, sob pena de ser escanteado nesse jogo. Posição, por sinal, que quase sempre ocupou... Daí vem a preocupação de travarmos arduamente a batalha para que a opinião pública (da mídia, dos empresários, dos corruptos) não tenha vitórias sobre o povo na elaboração da nossa Reforma Política.

Por isso desde já defendo o financiamento público exclusivo de campanha, com doações limitadas de pessoas físicas, o voto em lista fechada e o fim das coligações para que tenhamos um ringue um pouco mais democrático, em que a batalha das ideias se dê em condições mais equânimes.

A Reforma Política é o canteiro de obras da construção de nosso campo democrático-popular. Para jogarmos, enfim, em casa. E enquanto isso, ver o jogo pela TV sempre vai ser pior.